Enrolados



Animação da Disney de número 50, Enrolados é a continuidade da retomada dos filmes de princesas, precedido por A Princesa e o Sapo em 2009 - e tal qual aquela produção , possui todos os ingredientes necessários para agradar uma legião de espectadores mirins, em especial as meninas - mas em contrapartida , do mesmo modo que seu antecessor com a primeira heroína negra do estúdio - carece de sustância para se tornar marcante.

Baseado no famoso conto Rapunzel , dos irmãos Grimm - o filme se centra na vida da angelical personagem que - sequestrada ainda pequena por uma mulher, em busca dos efeitos mágicos presentes nos cabelos da bela princesa e que dariam a vilã a juventude eterna , é separada de seus pais - vivendo o restante de sua infância trancafiada numa torre, considerando Gothel - a sequestradora , sua verdadeira mãe. Os reis - atormentados com o sumiço da filha, se prontificam a todo completar de anos de sua primogênita , lançarem lanternas flutuantes ao céu, na esperança de que algum dia a garota veja esses sinais e volte para a casa, mal sabendo eles que o maior sonho dela é justamente ir de encontro a essas luzes celestes que surgem de onde não sabe. Para alegria de Rapunzel , seu caminho vai se cruzar com o de Flynn Rider - um anti-herói que é perseguido por uma dupla de bandoleiros e por um vilão em forma de cavalo por ter roubado um objeto de valor do reino , e que acaba se escondendo justamente na torre onde a protagonista é prisioneira.





Dirigido pela dupla Nathan Greno e Byron Howard, Enrolados - como toda animação Disney que se preze, é recheado de personagens secundários carismáticos , no caso as figuras presentes num bar de estrada assumem o lado mais cômico do filme, e de canções (I See the Light , inclusive, ganhou indicação para o Oscar) , mas a falta de ousadia do roteiro de Dan Fogelman - o torna meio lugar comum , ainda mais depois que no mesmo ano é lançado o terceiro Toy Story , que pra muitos foi taxado como a melhor coisa feita no ano passado em termos cinematográficos. Talvez o que os irmãos Edwards junto com Tony Leech fizeram em Deu a Louca na Chapeuzinho , guardada as devidas proporções, poderia ter sido uma alternativa para a história da garota de gigantescas madeixas - darem um ar mais sarcástico e irônico, mas sem trair a cerne do conto. Do jeito que ficou, deu a entender que a proposta era simplesmente fazer mais do mesmo e consequetemente lançar uma linha de brinquedos, pois afinal, a criançada deve aceitar qualquer coisa que una cores, músicas e animais estilizados, na opinião do estúdio, esquecendo que as animações deixaram de ser um produto voltado só para o público infantil há muito tempo.

Como quinquagésima longa de animação da Disney esperava-se mais de Enrolados, que diga-se de passagem está longe da força que A Bela Fera, Aladin e o Rei Leão tiveram em seus respectivos anos. A platéia adulta que se mostra a cada dia mais exigente , não quer apenas os chamados recursos visuais modernos , em moda agora com a explosão do 3D , mas uma boa história que justifique levar seus pimpolhos ao cinema e que ao mesmo tempo lhe traga alguma diversão.




2 Response to "Enrolados"

  1. Kamila says:

    Adorei "Enrolados" porque a obra atualiza esse conto de fadas, numa história carismática e romântica. O filme funciona muito bem e aquela cena das lanternas ao som de "I See the Light" é uma das mais lindas do ano passado.

    Para quem não teve a oportunidade de ler o conto, assistir ao filme, além de ser um bom divertimento, pode ser a forma de se inteirar do que se trata o clássico da literatura infantil. Mas eu concordo com você, Fábio. Ficou no meio do caminho. Não foi a transcrição literal do conto de princesa, como também não deu um rumo mais ousado (como o ensandecido "Deu a Louca na Chapeuzinho"). Ainda assim, deve-se assistir. O trio central é bem carismático (e olhe que são desenhos - rs). Uma dica: optem pelo som original.

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