Frankie e Alice


A sensação de perder o controle devido a um mal , quase encarado como maldição. Três vidas diferentes habitando um só corpo, com atitudes tão díspares uma da outra. A ajuda vinda de alguém disposto a indicar o caminho para a fuga desse pesadelo , tal qual foi o mágico para Dorothy , a indefesa garota de O Mágico de Oz - é o protagonista de Stellan Skarsgard para Frankie (Halle Berry) em Frankie e Alice - não a toa que o nome do personagem chama-se Dr. Oz.

No longa - dirigido pelo britânico Geoffrey Sax , Halle Berry interpreta a stripper Frankie - que paga suas contas dançando em uma boate privê dos EUA , em plenos anos 70, a fase áurea do movimento Black Power. Com um evidente transtorno de múltiplas personalidades, causado por um não revelado trauma do passado - Frankie acaba encontrando apoio no psiquiatra Oz , que - por meio de uma terapia que utiliza o alucinógeno LSD como adjuvante, conseque que ela manifeste esses outros seres - outrora surgidos apenas em momentos inesperados.



Uma dessas personalidades se denomina Alice , uma mulher com idade desconhecida - caucasiana e racista , a outra é uma criança de aproximadamente oito anos - apelidada de Genius. A missão de Oz não é outra se não permitir que a personagem de Halle Berry consiga encontrar equilíbrio - pra isso, acaba por interná-la em um hospital psiquiátrico e aparentemente tratá-la como um experimento - mesmo não tendo ficado claro pra ela deste o ínicio - deixando seus superiores em polvoroza.

Com alguns trabalhos na londrina BBC, Geoffrey Sax nunca chamou tanta atenção - talvez sua produção mais - digamos - notável mundialmente tenha sido Vozes do Além , com Michael Keaton. Em Frankie e Alice, sua direção é competente , mas não surpreendente - principalmente prejudicada pelo roteiro que não se decide se segue pelo caminho do drama, ou se opta de vez pelo suspense ou trilher psicológico - o que afeta momentos chave. O curioso é que como cinco cabeças (a história é assinada por um quinteto) não conseguiram desenvolver melhor o material , baseado em eventos reais , e além disso o grupo não se fez de rogado ao deixar pontas soltas - culminando com um final previsível e desapontador. Em tempo - as cenas de flashbacks que surgem quando Frankie está em transe, revisitando seu passado , apesar de importantes para a narrativa , foram muito mal conduzidas - lembrando um pouco alguns telefilmes antigos.


Finalmente Halle Berry (também uma das produtoras) conseguiu apagar de vez a mancha que a mulher-gato deixou em sua carreira. Berry constrói nunces reluzentes , tornando evidente quando está possessa por Alice ou por Genius e nos momentos de lucidez como Frankie. Stellan Skarsgard , que está no elenco de Os homens que não amavam as mulheres - de David Fincher , mais uma vez entrega uma atuação poderosa como o sóbrio e ao mesmo tempo controverso Dr. Oz, que passa o tempo livre com um fone de ouvido , escutando músicas - segundo ele como forma de aperfeiçoar sua habilidade para clinicar. Apesar do roteiro não desenvolver muito bem os traços da personalidade do personagem, Skarsgard o torna imenso - dando a impressão que é quase um Gregory House menos ranzinza.

Frankie e Alice é uma produção modesta, que conseguiu chamar a atenção da crítica e da mídia graças aos esforços de Halle Berry na divulgação. Carregado nas costas pela dupla principal , o longa talvez teria maior sorte se fosse feito para a televisão , na telona ele deve ser encarado como apenas mais um filme menor , tentando ser grande. Creio que as intenções foram as melhores - mas como diz o famoso ditado: de boas intenções...





Nota: 7

2 Response to "Frankie e Alice"

  1. Kamila says:

    Quero ver por causa da elogiada atuação da Halle Berry.

    Nossa, Flávio. Pelo seu ótimo artigo, creio que o filme deva ser muito bom. Se não for tudo o que promete, valerá a pena pela Halle Barry, uma atriz e tanto.

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