Em um Lugar Qualquer


Quarto longa sob a batuta de Sofia Coppola, antecedido por Maria Antonieta e Encontro e Desencontros, Em um Lugar Qualquer narra a história de Johnny Marco - um ator bastante celebrado em Hollywood que divide seus dias entre compromissos profissionais e a bebedeira e um comportamento rebelde no Chateu Marmont - hotel badalado em Los Angeles. Seu estilo de vida autodestrutivo muda de rumo , quando por algum tempo fica com a guarda da filha adolescente, que acaba sendo uma fonte de inspiração para ele.

Com uma técnica bastante particular na direção, Sofia Coppola que - como já frequente em suas produções - também é responsável pelo roteiro, aposta novamente no relacionamento interpessoal e nos aspectos mais complexos do envolvimento entre pessoas com visões de mundo distintas. O astro Johnny Marco (Stephen Dorff) vive ultrapassando o limite entre o bem e o mal, como tem tudo a sua inteira disposição - desde drogas, mulheres e assédio - não se importa em assumir o politicamente incorreto - mesmo que tudo isso na verdade acabe por ser apenas uma ilusão. Cleo (Ellen Fanning) por sua vez, se torna um elemento importante na vida do pai, por vezes assumindo o papel de adulta - invertendo as posições, deferindo olhares de condenação a Marco quando este comete algo, digamos - arteiro. Os encontros entre essas duas figuras contrastantes, mas que não escondem que necessitam uma da outra - são repletos de clímax, antagonizando com os períodos da solidão insuportável que o protagonista vivencia nos quartos de hotéis luxuosos ou até mesmo quando está rodeado por sua entourage. O grande mérito do roteiro escrito por Sofia Coppola foi por não conceder responsabilidades ou fazer julgamentos apressados para tais atitudes de seu anti-herói, mas torná-lo uma figura crível, que assim como todos é passível de dúvidas e consequentes erros.



Ambientando o espectador ao universo de uma estrela de Hollywood, a diretora no uso desta metalinguagem, competentemente construiu uma atmosfera propícia para que a plateia conseguisse se situar naquele cenário. Aproveitando-se de artifícios sonoros por vezes extensos, como o barulho do ronco do motor do carro de Johnny ou da respiração do personagem enquanto dorme na cadeira da maquiagem - para desmistificar um pouco àquela visão que na maioria das vezes o público tem de um ídolo.

Stephen Dorff - ao contrário de seu Johnny Marco nunca foi grande aposta de Hollywood, confere enorme veracidade ao personagem - que frequentemente pisa em ovos, mas quando está ao lado de Cleo volta à infância que - aparentemente - parece ter passado em branco. Enquanto isso, Ellen Fanning tem se revelado extremamente graciosa - se desviando daquelas manjadas projeções de uma adolescente que insiste em querer ser adulta. Seus confrontos com o pai que se dão através de olhares e expressões, revelam uma atriz cheia de nuances e magnetismo.

Vitorioso no 67th Venice International Film Festival - sendo injustamente acusado de ter sido favorecido pelo relacionamento que Sophia Coppola já teve com Quentin Tarantino, presidente do júri - Em um Lugar Qualquer acaba por ser uma crônica sobre como a fama, o poder e o glamour podem ser elementos artificiais em demasia e que a felicidade talvez seja fruto dessas pequenas escolhas que fazemos no dia a dia e não tanto da condição na qual nos encontramos.





1 Response to "Em um Lugar Qualquer"

  1. Curti seu blog, está tudo ótimo por aqui.
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